A GREVE ACABOU MAS NÃO A LUTA!
- Sindisep/RJ
- há 6 horas
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A empresa HUBrasil (ex-Ebserh), desde o início das negociações, manteve uma postura desrespeitosa com os trabalhadores, recusando-se a informar o índice de reajuste das cláusulas sociais, mesmo sabendo que, por se tratar de um ano eleitoral, há uma data limite para concessão de reajustes acima da inflação.
Hoje, a recomposição salarial necessária para os trabalhadores da HUBrasil seria de cerca de 15%. Contudo, a empresa só apresentou proposta quando os trabalhadores entraram em estado de greve, oferecendo 80% do INPC (cerca de 2%, em estimativa). Em relação às cláusulas sociais, parece que sequer leu a minuta do ACT 2026/2027 construída pelos trabalhadores, pois em nenhuma mesa de negociação essas pautas foram citadas ou incluídas, como, por exemplo, a proposta de redução da jornada de trabalho.
A HUBrasil manteve uma postura vergonhosa ao iniciar o dissídio em vez de negociar um acordo mais equilibrado, ignorando perdas salariais, principalmente do setor administrativo, e reivindicações históricas como o PCCS, que está há anos parado.
Diante desse cenário, os trabalhadores do Rio de Janeiro iniciaram uma greve que pode ser considerada uma das maiores dos últimos tempos. Ainda assim, sabemos que podemos ir além, tendo em vista o grande número de trabalhadores distribuídos nas unidades da empresa. Infelizmente, a adesão não foi majoritária, mas, mesmo assim, conseguimos gerar impacto.
Foi aprovado em assembleia o funcionamento de 50% por setor, porém fomos surpreendidos pelo TST (Tribunal Superior do Trabalho), que inicialmente determinou 80% de funcionamento sem especificação por setor ou unidade e, posteriormente, retificou para 80% por setor, impondo ainda multa de R$ 100 mil.
Essa medida representou um claro sufocamento do movimento paredista. A empresa, que havia afirmado que não negociaria sob pressão da greve, acabou marcando uma mesa de conciliação no TST no dia 7 de abril, apresentando nova proposta: 100% do INPC (cerca de 3%), algumas cláusulas sociais já apresentadas e abono de 50% dos dias de greve.
Em caso de não aceitação, o dissídio seguiria para julgamento. Em assembleia, ontem, 7 de Abril, foi decidido pelo encerramento da greve, considerando a postura do TST, que poderia agravar ainda mais a situação, inclusive com possibilidade de descontos na folha dos trabalhadores grevistas.
O Sindisep-RJ avalia que a postura da empresa desde o início se caracteriza como chantagem e ameaça, representando um desrespeito com os trabalhadores que mantêm os hospitais em funcionamento.
As propostas econômicas seguem sendo insuficientes, e a posição do sindicato é de continuidade da luta.
Essa foi apenas mais uma batalha, e não uma derrota. A greve demonstrou que podemos avançar muito mais se houver maior unidade entre trabalhadores assistenciais e administrativos.
A comissão de greve cumpriu seu papel de forma exemplar, participando das assembleias e orientando a categoria, mas é necessário ampliar a participação, inclusive nos atos em frente aos hospitais, que ainda não refletem o conjunto dos trabalhadores insatisfeitos.

Todas as decisões foram tomadas em assembleias, presenciais e online, e o sindicato atua como instrumento da vontade da categoria, não decidindo por ela, mas apoiando e organizando a luta com materiais, estrutura e presença.
Devemos sair desse processo mais fortalecidos, transformando a indignação em mobilização, pois somente a luta coletiva é capaz de conquistar direitos, não a divisão entre nós, mas a organização para avançar.




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