NÃO À AGRESSÃO DOS EUA À VENEZUELA
- Sindisep/RJ
- 3 de jan.
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Não é sobre democracia, é sobre Petróleo!
Na madrugada de hoje, 03 de janeiro, o Governo Trump, após uma série de ameaças e atentados na Costa do Caribe, além de ações de pirataria com a apreensão de navios petroleiros, bombardeou Caracas, capital da Venezuela e sequestrou o presidente Nicolás Maduro e sua esposa. Também foram bombardeados os estados de Miranda, Aragua e La Guaira. O discurso dos EUA é de que a Venezuela seria um Estado Narcoterrorista, o que autorizaria a agressão militar.
A verdade foi escancarada pelo Vice-presidente dos EUA, Jade Vance, que declarou sem qualquer pudor o objetivo de se apossar do petróleo venezuelano. Afirmou que a agressão visa a recuperar o petróleo roubado dos EUA pela estatização da indústria, a partir dos anos 1970 na Venezuela e mais recentemente, nos anos 2000. Trump, por sua vez, afirmou que os EUA “tem as maiores e melhores empresas petrolíferas do mundo” e que elas estarão profundamente envolvidas nesta operação (no saque da Venezuela). O discurso do governo agressor de que o Hemisfério Ocidental é seu território e fará o que quiser com ele é uma clara ameaça à paz no mundo.
Na prática, é o retorno da Doutrina Monroe, que define as Américas como área de influência dos EUA, autorizando o expansionismo e intervencionismo militar, justificando ações imperialistas na América Latina. Relembrando, o imperialismo é busca expansionista pelo domínio de uma nação sobre outros territórios, visando controle político, econômico e cultural, submetendo os interesses de uma nação aos da dominante. Tal retorno ocorre cerca de 20 anos depois da derrota do projeto da ALCA, a Área de Livre Comércio das Américas, onde amplas mobilizações populares frearam o poder dos EUA no continente.
A ação militar acende um alerta. Petróleo, terras-raras, água doce, urânio e outras reservas minerais estratégicas são um alvo em potencial para a agressão militar e subsequente saque. Nada disso, porém, é novidade. Iraque, Síria, Líbia, Afeganistão são exemplos recentes, mas também o Vietnã, Laos, Camboja, Guatemala, Granada, Bósnia, Somália, Iêmen, Iugoslávia, Líbano, entre tantas vítimas nos últimos 30 anos. As agressões militares dos EUA no oriente médio, resultaram em crimes de guerra, crises humanitárias, crescimento do extremismo-religioso, explosão da miséria e gigantescos lucros para empresas estados-unidenses, especialmente nos segmentos de energia, construção e o complexo industrial militar.
É grave, é inaceitável, é mais um ato criminoso do governo dos Estados Unidos, que busca recolonizar as América Latina, a transformando no seu “espaço vital”, na sua disputa imperialista contra a ascensão da China. É um risco claro para todo o mundo, em especial a América Latina, substituindo estratégia da montagem de “revoluções coloridas”, como foi na Ucrânia, pela intervenção militar aberta. Para não deixar qualquer dúvida sobre os objetivos de Trump, sua entrevista coletiva na tarde de hoje, deixou claro o objetivo do ataque, se apossar do petróleo venezuelano e tratar o continente como seu quintal!
O ataque viola o direito internacional e se baseia em falsas acusações de tráfico, similar ao feito com o Iraque, sob a mentira de existirem “armas de destruição em massa”, com consequências desastrosas até hoje para àquele país, que segue em estado de virtual guerra civil. Na prática, é a imposição da lei do mais forte para se apossar do petróleo venezuelano, que não pode ser normalizada, mas sim combatida por todos, reafirmando o princípio da autodeterminação dos povos e da não intervenção.
A extrema-direita brasileira e o bolsonarismo, seu braço fascista, reafirmam seu caráter entreguista, falsamente nacionalista e submisso aos EUA, aplaudindo a agressão imperialista, que ceifou a vida de número desconhecido de cidadãos venezuelanos, para se apossar, como admitido por Trump e seu vice, do Petróleo daquele país. O bolsonarismo e aliados, inclusive, pleitearam ativamente a agressão militar dos EUA sobre o povo brasileiro. Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo (neto do ditador João Figueiredo) clamaram por sanções e ações militares, oferecendo, em troca, terras-raras e minerais estratégicos do Brasil para empresas estados-unidenses, em clara traição à pátria por parte desses falsos nacionalistas.
Não se iludam, as bombas que caem na Venezuela hoje podem cair, amanhã, no Brasil ou qualquer outro país que desperte a ganância do Tio Sam.
Não é sobre democracia, é sobre Petróleo!
Não somos quintal dos EUA!
Não à intervenção militar ianque na Venezuela!
Tirem suas patas da América Latina!
Sindisep-RJ








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