Um dia das mães contra a reforma da previdência

O dia das mães, ainda que se origine em celebração em honra de Rhea, a Mãe dos Deuses, na Grécia antiga, quando da chegada da primavera, modernamente ressurgiu como um instrumento de luta em defesa dos direitos das mulheres. Nos EUA, em 1858, a ativista Ann Maria Reeves Jarvis organizou um dia em homenagem as mães, denunciando a elevada mortalidade de crianças em famílias de trabalhadores.


No Brasil, Getúlio Vargas cedeu em 1932 ao pedido da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, oficializou a data no segundo domingo de maio, como parte da estratégia das militantes feministas de valorizar as mulheres na sociedade. Infelizmente, apesar de todos os avanços acumulados pelos movimentos de mulheres em sua história de luta, atualmente a data se tornou um dia cujo principal significado é mercadológico, jogando para debaixo do tapete as verdadeiras origens da data.


Agora, o ataque que o governo Bolsonaro/Paulo Guedes pretende fazer contra as mulheres, mães ou não, é muito pior do que a ressignificação da data pelo mercado. A reforma da Previdência ignora a dupla jornada, escanteia o preconceito, esconde o machismo e podem resultar numa combinação insuportável, inviabilizando o acesso feminino às aposentadorias e pensões.

Caso a contrarreforma da previdência seja aprovada, a trabalhadora deverá alcançar 20 anos de contribuição – o tempo mínimo fixado – terá o valor da aposentadoria correspondente a 60% da sua média salarial durante esse período. O valor aumenta 2% a cada ano que contribuir além do mínimo necessário. Se tiver 25 anos de contribuição, terá direito a 70% da média. Para ter direito a 100%, será preciso contribuir por 40 anos. Hoje, porém, 2/3 das mulheres se aposentam por idade, com menos de 18 anos de contribuição, ou seja, as mudanças empurrarão as mulheres para o reduzido Benefício de Prestação Continuada (BPC), que Bolsonaro e Paulo Guedes querem que seja de apenas R$ 400,00.


Bolsonaro e Paulo Guedes falseiam a verdade ao falarem que buscam "reduzir as desigualdades". Querem apenas encher os cofres dos fundos de pensão privados, como o BMG Pactual, do qual Guedes é sócio. Negam a realidade da maioria das famílias brasileiras na qual a maior parte do trabalho doméstico recai sobre a mulher, que ainda sofre no mercado de trabalho com condições desiguais de acesso ao emprego e a salários menores do que homens da mesma classe social e cor da pele.


A crise econômica na qual o Brasil se arrasta a alguns anos e que com a reforma da trabalhista se agravou, impôs o aumento da informalidade e do trabalho por conta própria, em que a maioria não contribui para a Previdência, fragilizam as todas as mulheres, em especial as pobres e negras.


O dia das mães deve servir como ponto de reflexão sobre as incertezas quanto ao futuro, quanto aos direitos trabalhistas fragilizados e os ataques às aposentadorias e pensões. O governo põe em risco a vida de milhões de mulheres, bem como daqueles que delas dependem. Para um governo que alega "defender a família", fica mais claro a cada dia que a única família defendida por Bolsonaro é a dele próprio.


Vamos a luta!

Não a Reforma da Previdência!


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